Entre atas, indicadores e validações jurídicas, uma entidade formada por voluntários decidiu colocar no papel aquilo que, até então, era conduzido muito mais pela prática do que pela formalização. A ABRH Regional Sul Catarinense lançou sua Cartilha de Governança com a proposta de consolidar regras, responsabilidades e critérios claros para a atuação das diretorias, e, principalmente, garantir que decisões estratégicas tenham respaldo institucional.
A iniciativa da entidade que congrega profissionais de gestão de pessoas e lideranças empresariais nasce da necessidade de estabelecer diretrizes, responsabilidades e alçadas bem definidas, pontua a presidente, Tânia Aquino. “A cartilha busca inspiração em boas práticas para assegurar ética, integridade e sustentabilidade das operações da Regional. Esse instrumento demonstra também a visão estratégica da nossa instituição, e passa a mensagem de que a gestão de pessoas necessita e merece ser vista como essencial dentro das organizações”, explica.
A formalização da cartilha tornou-se essencial para fortalecer o modelo colegiado de direção e decisão adotado pela entidade. A proposta é evitar decisões isoladas e assegurar que deliberações de impacto sejam documentadas e submetidas ao órgão competente, destaca o diretor jurídico da ABRH Sul Catarinense, que liderou o projeto de concepção do documento, Alexandre Ferreira dos Santos. “A formalização garante que o processo funcione com transparência e profissionalismo”, pontua.
Quatro pilares
O principal objetivo da Cartilha de Governança é formalizar a postura ética e equânime da Regional, consolidando quatro pilares fundamentais da governança: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.
Na prática, isso significa disponibilizar informações de forma clara e oportuna, assegurar tratamento justo a todos os stakeholders, demonstrar regularmente os resultados da gestão aos associados e atuar com compromisso econômico, social e ambiental.
O que muda na prática
Com a implementação do documento, decisões consideradas de valor substancial passam a exigir validação da Diretoria Jurídica e da Vice-Presidência Financeira, além de registro obrigatório em documentos oficiais. A medida reforça a rastreabilidade e a segurança dos atos administrativos.
Outra mudança é a segregação de funções: nenhum membro voluntário poderá responder por duas diretorias simultaneamente, evitando sobreposição de papéis e conflitos de interesse. Além disso, o desempenho das diretorias será acompanhado por indicadores de mercado definidos anualmente, alinhados ao planejamento estratégico.
Posicionamento regional
Para Alexandre, a iniciativa posiciona a entidade como referência em boas práticas de governança, compliance e ética no Sul do Estado. “A Regional inclui na agenda permanente os debates sobre alçadas, papéis e responsabilidades de seus membros, conferindo mais transparência em seu posicionamento perante a comunidade em que atua”, afirma. Ele ressalta que a medida consolida a entidade como uma liderança madura e confiável no Sul de Santa Catarina.
O impacto direto para os associados, segundo o diretor jurídico, é a garantia de uma gestão eficiente e transparente. A cartilha reforça a reputação técnica e de conduta da entidade, assegurando que informações relevantes sejam compartilhadas com clareza.
Documento vivo
A Cartilha da Governança prevê revisão anual e atualização sempre que houver mudanças na estrutura organizacional, nas normas de compliance ou nas políticas estratégicas da Regional ou do sistema ABRH Nacional.
Para o presidente estadual da entidade, Diego Martins, governança não significa rigidez excessiva, mas sim direção e clareza. “Ela organiza, estrutura e garante que nossas decisões estejam alinhadas ao propósito maior da ABRH-SC”, afirma em mensagem na publicação.
Ao resumir a importância da iniciativa, Alexandre define: “A Cartilha de Governança é o primeiro alicerce de boa governança, que garante transparência, segurança jurídica e a sustentabilidade do legado da ABRH – Regional Sul Catarinense”.